Massa tradicional para pizza

Ingredientes

  • 230 ml – água;
  • 50 ml – óleo culinário;
  • 15 g  – fermento biológico fresco;
  • 1 g  – açúcar;
  • 12 g – sal;
  • ~400 g – farinha de trigo.

Modo de Preparo

  1. Aqueça a água para algo em torno de 35ºC e coloque em uma tigela;
  2. Acrescente o açúcar, o fermento e o óleo, use uma colher para mistura-los;
  3. Coloque quase que a totalidade da farinha e depois acrescente o sal;
  4. Use uma colher para tornar a mistura homogênea e fácil de tirar da tigela;
  5. Retire a massa da tigela e sove-a o máximo que puder, acrescentando farinha até que a mistura encorpe e solte da mão;
  6. Daí para diante cada um pode criar a própria técnica, sendo certo que a massa deve descansar por no mínimo 30 minutos para crescer.

Memória surreal

É concluído agora uma semana desde sua partida. Não, você não morreu aquele dia, mas eu consigo com infeliz naturalidade encarar os fatos como se fosse da morte ques eu estivesse falando. Tentei e devo continuar a tentar evitar pensar em você, pois não fora a primeira vez que sentira sentimento de dor por sua ausência e já sei o tanto que isso consegue me machucar, para o deleite de certas pessoas.

Enfrentar os sentimentos da perca, as memórias criadas, a escrita creio que me trará algum conforto. Essa semana de luto foi um tempo mínimo que precisei para me recompor, palavra que sua tia usou há alguns dias. É que deixar de falar sobre isso me causava a impressão de que iria esquecer o que vivemos nessa porção de meses. Tenha certeza que ao escrever alguns parágrafos à seguir eu sofri muito, mas que ao chegar ao último parágrafo eu já estava sereno, ao menos por hoje.

Lembrar de ti como farei abaixo é como eu tentar me levar de volta para algum momento específico contigo, para poder revive-lo. Como seria bom conseguir sentir você novamente, escutar sua voz e te dar aquele abraço tão apertado. A tarefa de lembrar não é somente inútil, como também me impede de olhar pra frente. É um tipo de droga do nosso cérebro que nem prazer me é capaz de dar nesse momento. Até para lembrar dos meus bons momentos contigo só tem me trazido dor, por saber da incapacidade de viver novos momentos inesquecíveis o seu lado sem hora marcada, como vinha acontecendo.

Lembranças pela gula

Estive me preparando pra sua partida, de véspera eu fiz aquela receita de pão de queijo da vovó. Naquele momento já ficaria triste com o resto de polvilho que sobraria depois da sua partida, imaginando não estar disposto mais a fazer a receita sem sua presença. Aprendeu a comer pão de queijo conosco minha boneca.

Saiba que hoje a a vovó está aqui, veio nos visitar e provavelmente ver como estou. Criei coragem e fui me livrar das lembranças daquele polvilho, acabei de fazer pão de queijo pra vovó pela primeira vez. E como estava gostoso, estou ficando cada vez melhor de prepara-los e já já nem vou precisar mais de receita. Foi bom vencer esse desafio, pois quando eu estou triste é difícil encarar qualquer tarefa como essa.

E minhas tradicionais massas de pizza?! Uma nova massada de pizza segue sem previsão por aqui, apetite reduzido e lembranças aumentadas. Terei de criar força para vencer essa inércia rapidamente, não creio que será difícil. Bom, a última massa pré-assada acabou coincidindo com sua partida. Fiquei lhe devendo a sua pizza favorita de frango.

Por outro lado, com o pouco do frango que tínhamos lhe preparamos o estrogonofe, ao qual você nunca rejeitou nem quando não estava com fome. Quase sempre ficava muito animada quando descobria que essa era sua próxima refeição. Provável que tenha sido o seu prato preferido conosco, já fazia parte das memórias desde a época da casa da vovó.

Ontem fui a feira, quando saí de lá reparei que comprei muitas coisas que não deveria ter comprado, coisas que compraria pensando em desfrutar em sua presença. Entre outras coisas eu comprei 3 sacos de mistura para preparar tapioca, massa de pastel, maçãs e bananas. Tinha até o brócolis, ao qual nem daria pra imaginar que você passaria a gostar.

Tapiocas, como se você fosse estar aqui ainda para me pedir logo quando acordasse, que seu café da manhã fosse tapioca de chocolate. Massa de pastel, pois sempre pensava que seria um alimento calórico o suficiente suprir a energia de quando chegava das brincadeiras depois de horas lá fora. As frutas eu usava para dar aquela forrada na sua barriguinha quando a refeição principal ainda iria demorar ou quando você insistia em comer cereal fora de hora.

Sim, eu ficava muito irritado em fazer tapiocas. Talvez por preguiça, mas também devido sempre ter um cereal ali facinho para minha boneca saborear com iogurte logo pela manhã. Além que você se lambuzava toda com o chocolate, mas mesmo assim preparava a tapioca pra te agradar. Lógico que fazia, sempre pensava que um dia te perderia novamente, então sempre tive que dosar a rigidez da educação com satisfazer ao máximo suas vontades.

Na geladeira ainda há três garrafas de iogurte, vou criar coragem de consumi-las. No armário tem um pacote fechado e outro aberto daquele tradicional cookie que a gente sempre comprava. Já as barras de chocolate amargo tinham acabado há um bom tempo, embora o amargo continue em mim. Um resto de cereal ainda está do mesmo jeito que ficou da última vez que você comeu. Não pretendo comprar mais, ao menos por enquanto, longe da mesma quantidade e frequência se um dia comprar novamente.

Nesse período que passamos aqui, enormes avanços na alimentação nós pudemos sentir e sentíamos cada vez mais. Apesar que você ainda era a primeira a começar a comer e a última a terminar. Só terminava na base da insistência e era grande a pressão. Passara a comer muito bem o que tinha de salada e até manga você já pedia pra comer nesses últimos dias. Adorava até pizza de brócolis.

Os dias à tarde

Dentro desses 7 últimos dias teve muitos momentos que foram quase que insuportáveis, aconteciam quando não resistia em puxar da memória os momentos que passamos juntos nesse lugar após quase um ano e meio de convivência, de total dedicação por praticamente 24 horas por dia.

Era difícil de não lembrar, e de não me desmanchar, ao escutar as outras crianças lá fora brincando e falando seu nome diversas vezes. Houve um dia de imenso calor e elas ficaram muito empolgas com a possibilidade do banho de balde no final da tarde. Certamente você seria uma das mais empolgadas e estaria ajudando a botar pilha nas demais crianças, pois a sua voz se destacava beirando a gritaria.

Tá, eu me preocupava quando você ficava toda molhada e as vezes até brigava com você por isso, normal de quem ama e cuida. Muitas vezes também você acabava brigando com quase todas as outra crianças. Isso não era nada também que fosse do outro mundo por se comportar assim, mas acabava por gerar toda aquela situação ao qual muitas vezes me faltava paciência, outras vezes eu tentava lhe explicar como a relação com os amiguinhos poderia ser algumas vezes difícil e que a opção por brincar com outras crianças tinha disso mesmo.

Estou pensando em ocupar minhas tardes de outra maneira à partir de agora, pois é sempre delas que tenho puxado as memórias que mais me machucam. Resisti bravamente por alguns dias desde sua partida, mas estar sozinho aqui e escutar as crianças lá fora logo me trazem a lembrança de lhe chamar da brincadeira lá fora para você vir comer alguma coisa, e principalmente tomar água.

Lembrei que nos últimos meses passou a ser você quem vinha pra dentro sozinha, após horas lá fora. Lembrar de você sentada na cadeira que era do papai ali mesa, só pra poder assistir a televisão enquanto comia mais um potinho de cereal com iogurte, era essa imagem que sempre me vinha fixa na memória.

Duro saber que essa convivência acabou de fazer parte exclusiva do passado. As crianças lá de fora conhecem essa casa aqui como a casa da Dani, talvez logo essa referência mude e o presente constitua um novo significado para esse apartamento para minhas memórias e a das demais pessoas.

Foram muitas outras lembranças durante essa primeira semana de tua total ausência, onde inicialmente encarei como se você estivesse ido passar alguns dias com sua tia, mas não resisti por três dias. Desses seus seis anos e meio de idade, são lembranças do último ano e meio. Lembranças que às vezes consigo bloquear de modo que não contamine meu cérebro com pensamentos tristes. Quando parece que tudo está resolvido e posso pensar pra frente já cai diante de mim mais um Flash Card, palavras chaves que conseguem resgatar tudo de novo, como: video game, shopping, SESC, praia, virar de ponta cabeça, aviões de papel e etc.

Se eu vier aqui e escrever pra cada lembrança que surgir, logo logo terei escrito um livro e quero evitar mergulhar nisso. Em dois dias já voltei aqui algumas dezenas de vezes. Saí de quatro parágrafos e já escrevi bem mais de vinte. Felizmente escrever um livro não é fácil, pois não gostaria de sofrer tanto com isso, a única vantagem seria organizar todo esses pensamentos. O tempo que eu gastaria indo pra trás, buscar das memórias,  não me faria bem e agora o mais importante é eu seguir em frente.

Sua sombra crescerá

Sua irmazinha, prestes agora à completar um ano e meio de idade, tem brincado menos e agido diferente. Resistimos em afirmar, mas parece que ela está sentindo muito sua falta. Principalmente nas primeiras e últimas horas do dia vocês brincavam muito e também passavam raiva uma da outra, normal entre irmãs.

Havia a questão do ciúmes, ao qual a Helô era a campeã. Se você estivesse no meu colo, encostada em meu peito, pra ela não era suficiente dividir o colo. Você parecia até gostar das brigas com ela, acho que lhe dava prazer provocá-la.

Lembro muito também de nós três juntinhos, minhas duas filhas, durante aqueles longos períodos que a energia acabava e ia noite a dentro. A gente chegava a dormir depois de ter tentado ao máximo passar o tempo da melhor forma que dava pra fazer sem luz.

Assim como comer, para dormir você podia ser a primeira a começar, mas era a última a terminar. Não sei se ficava acordada durante a noite assim como enrolava pra comer. Fato é que as vezes até a Helô dormia depois e sempre acordava primeiro que você. Mas também ela não serve de parâmetro, né boneca, já que ela sempre deu trabalho a noite toda.

Quando eu e a sua irmazinha já estávamos acordados pra enfrentar o dia você só ia acordar lá para onze horas. Eu ainda me pego pensando que você tá na cama dormindo. Há algumas horas atrás estava com a bebê aqui na cama do outro quarto e em algum no lugar do cérebro ele me engava me dando a certeza que você estava lá dormindo. Aí vem aquela tristeza quando percebo a ilusão que sem querer eu me faço.

No momento em que escrevo esses parágrafos, a essa hora do dia em que se aproxima a hora do almoço, você já começava a esboçar interesse de ir lá pra fora. Principalmente se escutava qualquer som que parecesse a voz de uma criança. As vezes ficava cerca de uma hora vagando pelo condomínio sem sinal de uma criança.

A Helo não podia ver você sair pela porta que já ficava irritada, querendo que eu levasse ela lá pra fora, e não dava pra resistir aos choros dela. Você chegou a chorar varias vezes por não suportar o choro dela, lembra?! Acho que isso era um sinal do amor e preocupação que você sentira por ela, apesar dos conflitos.

Como geralmente você saia bem antes pra brincar lá fora, nós nos encontrávamos uma hora ou outra por ali. Também você quase nunca conseguia acompanhar o caminhar lento com a bebê e a gente queria mesmo é que ela ficasse em casa e dormisse um pouco. A luz do sol sempre bem forte e bonita lá fora essas horas, enquanto as primeiras horas da tarde não chegavam.

Lhe dava alguma lição para explicar o que encontrávamos no mundo que você tinha tanto interesse de explorar. Foi uma escolha perfeita vir pra cá. O espaço do condomínio é grande e repleto de natureza, sempre a gente encontrava alguma coisa curiosa. Sem falar no seu interesse por estar com outras crianças, que para nossa estranheza era desproporcionalmente de grande. Pensando nisso, realmente foi uma boa escolha, apesar de termos vindo pra cá por outros motivos.

No salão de festa passamos ao menos uma dezena de momentos juntos, nós três e o resto da criançada do condomínio. Lembro perfeitamente da luz do final da tarde. Lembro da sua imensa alegria de brincar por ali, fazer comidinha e brincar de mamãe e filhinha. Difícil era convencer você a entrar pra casa sem que brigássemos, mas nesses últimos meses isso já não era mais necessário. Tudo vinha mudando e adiávamos o inadiável.

Como ondas do mar o fim ameaçava sempre chegar

As brigas pra você tomar banho vinham diminuindo, pra você ir dormir cedo também. Insistir pra você estudar já faziam meses que tinha desistido. Outras lutas continuavam, como pra você deixar a mesa de jantar sempre desocupada sem os seus desenhos e brinquedos, principalmente antes de dormirmos.

Sim, as brigas fizeram parte dessa jornada já que você estava acostumada a outra criação. Além disso, passamos a morar juntos em condições desfavoráveis. Tudo vinha mudando de uns meses pra cá, talvez porque fosse normal da sua adaptação e aprendizado, ou talvez porque o fim era inevitável. Creio que sua partida ocorreu quando finalmente você cada vez mais passava a me respeitar como seu pai e não como visita em sua vida.

Eu reclamava com você diversas vezes que eu não conseguia fazer nada, que você e sua irmãzinha me ocupavam demais. Reclamação que só tem quem verdadeiramente cuida. Longe de mim que por minha própria vontade conseguiria abrir mão de vocês, quem ama como pai ou mãe não consegue mesmo, apesar do peso do fardo. E aos poucos fomos nos acostumando e eu fui aprendendo que o mesmo cuidado que eu devia ter comigo eu deveria despender com vocês.

O meu real desejo era de estar contigo apesar de qualquer adversidade, era de grande conforto saber que tudo aquilo que tenho de mais valioso estava aqui sob minhas asas, meus cuidados e controle. Nesse recente espaço de tempo de um ano e meio eu não me recordo de ficar triste assim nenhuma vez. Apesar da perseguição e humilhação que sofri nesse e em outros períodos, tudo de ruim se torna pequeno se a gente tem quem a gente ama por perto.

Percebi que poderia haver sim falta de paciência, cansaço, estresse, sobrecarga por cuidar de vocês duas praticamente sozinho. Não tem preço que pague de saber que durmo nesse quarto, mas que você está ali no quarto ao lado dormindo. Para minha imensa tristeza sua cama aqui passa a noite agora vazia, é difícil de eu explicar isso pra mim mesmo e aceitar que agora é assim e pronto, que você não está ali. E pior que não está e pronto, eu aceito ou não.

A contragosto, agora terei de fazer algo rapidamente com o vazio e o tempo que você deixou. É uma questão de qualidade de vida de várias pessoas e incluindo você mesma. Acredito que não há egoísmo algum da minha parte, pois pra mim não está sendo bom não, nem um pouco. Esse aperto do coração terá que passar, antes terei que suportar.

Por mim ficaria tudo como nesse último ano, de 2015. É certo que a situação foi se revertendo contra nós, mais e mais, e se agravando. Sustentar o insustentável seria em primeiro lugar egoísmo meu, em segundo lugar loucura. Você e eu estávamos conseguindo suportar a pressão, em contrapartida tinha muita gente sendo humilhada e que não tinha diretamente nada a ver.

Aceitou partir, trabalhamos muito sobre isso e você foi até animada embora. E não entenderia exatamente o que tudo significava e significaria. Eu não pude impedir, mesmo sabendo que daqui pra frente deverá ser muito diferente, especialmente tudo entre eu e você. Não era impossível continuarmos clandestinos, lutando contra tudo e todos, mas certamente não seria o melhor pra você.

Poucas, verdadeiras e dedicadas pessoas saberiam que nossa luta havia sido justa. O pior é pensar que ainda não acabou. Sim, pois tenho que renovar esperanças e forças, que no momento estão prejudicadas. Apesar de teimoso, foi tempo de reconhecer o fracasso e dar um passo pra trás, para voltar a pensar e andar pra frente.

Rosquinhas fritas

Ingredientes

  • 250 g – Farinha de trigo;
  • 180 g – Açucar;
  • 1 – ovo;
  • 100 ml – leite;
  • 100 g – queijo Minas (meia cura ou padrão) ralado;
  • ½ colher (sopa) – margarina;
  • ½ colher (sopa) – fermento.

Modo de Preparo

  1. Juntar todos os ingredientes em uma recipiente adequado ao volume, de modo que sobre espaço para mexer com uma colher;
  2. Após tudo misturado, ir acrescentando mais farinha para chegar ao ponto, de modo que em um dado instante seja possível retirar a massa para uma superfície ampla e plana, mais adequada para sovar usando as mãos;
  3. No momento que já não gruda mais nas mãos é começar a fazer as rosquinhas, passando antes farinha nas mãos;
  4. Com o óleo aquecido e suficiente para quase cobrir se inicia a fritura, tomando cuidado de controlar o fogo para não queimar sem cozinhar por dentro.

Pão de queijo mineiro

Tipos de queijo indicados

É indicado um queijo adequado para ser ralado e de paladar intenso, como os queijos curados.

Foram testados na receita, com sucesso, os seguintes: queijo minas padrão, curado, meia-cura e o queijo parmesão.

No entanto, há de se levar totalmente em conta no preparo que existem queijos com mais e outros com menos paladar puxado para salgado.

Então deve ser avaliado a relação de sal e de queijo na massa. Por exemplo, se o queijo adotado for de sabor suave deve se optar por acrescentar mais queijo na massa.

Ingredientes

  • 200 ml – xícara de leite
  • 40 ml   – óleo de soja
  • 50 ml   – água
  • 250 g   – polvilho azedo
  • 7 g – sal [depende do queijo]
  • 1 – ovo
  • 150 g – queijo ralado indicado

Modo de Preparo

  1. Leve ao fogo a água, o leite e o óleo até começar a ferver;
  2. Em uma tigela coloque o polvilho e o sal;
  3. Depois de levantar fervura, coloque a mistura da panela na tigela do polvilho, escaldando-o;
  4. Quando a massa estiver menos quente, adicione o ovo e o queijo;
  5. Sove bem a massa até que ela fique uniforme e grudando pouco nas mãos;
  6. Leve a massa à geladeira por 30 minutos, para que a massa fique firme;
  7. Unte as mãos com óleo e forme bolinhas com a massa, dispondo-as em assadeira untada; e
  8. Leve ao forno preaquecido até que os pães de queijo dourem, em uma temperatura usual de 180ºC.

Fonte de consultaTudo Gostoso – Pão de queijo mineiro

Tabela de dardos

Tenho já há alguns meses a idade de 35 anos, estou no terceiro relacionamentos de convívio marital, tenho duas filhas frutos da segunda e agora da terceira união. Foram grandes tropeços que vivi até aqui e quando já achava que tinha levado minha maior queda eis que surge o poço mais fundo, ao qual ainda não cheguei ao fim.

Hoje sonho acordado ao imaginar os meus pesadelos vividos de quando tinha dezoito anos de idade, que apesar de serem pesadelos eu daria tudo para fazer essa regressão e voltar a viver à partir daquela época novamente, com a chance de poder fazer tudo diferente.

Efeito borboleta
Efeito cascata e a teoria do caos

Tenho percebido que quando mais imaturo somos, mais achamos que somos capazes. Faz falta, muita falta se sentir capaz. A experiência não me produziu destinos promissores. Imaginei nesse momento um alvo, até o mais pessimista tem algum objetivo por mais ridículo que seja, pois todos estamos em movimento quer queiramos ou não. O centro do alvo é o ponto onde todas as linhas partem. Estou em uma dessas linhas, bem longe do centro.

Podemos definir o centro do alvo de diversas maneiras, pensei agora que aquele ponto é onde gozamos o auge da vida. O viver me traz nesse momento a referência da liberdade, onde nada nos prende ou nos impede. Talvez por isso é que pense que quando eu tinha dezoito anos foi quando eu achei que podia ser tudo que quisesse na vida, desde que me dedicasse.

Pensando bem, acho que o centro do alvo de cada um nasce justamente com o nosso nascimento, pois somos colocados nesse mundo em um lugar bem específico, com pais aos quais não escolhemos, em uma cidade ao qual nem sabemos diferenciar do que é país ou planeta. Para ser mais exato, nem aqueles pais de onde nascemos, naquele lar, pra gente faz diferença no primeiro mês de vida, poderia ser qualquer pessoa ao qual nos desse assistência.

Aquelas tabelas de dardo, sabe? Certamente um dia a pessoa vai econtrar esse objeto em algum lugar. Cada vida é como se fosse uma delas. Todas essas tabelas se sobrepõem, de modo que o meu dardo seja eu, e em um mesmo ponto exista meu dardo e o dardo de outras vidas que naquele instante estão de alguma forma transitando em um ponto em comum nas tabelas sobrepostas. Muito doido imaginar isso, mas faz muito sentido. Esse ponto das tabelas sobrepostas onde certas dardos compartilham um ponto em comum são como casamentos ou famílias, ou até mesmo empresas.

Horizonte claro quanto ao destino das escolhas
Horizonte claro quanto ao destino das escolhas

Na vida real, jogar novamente esse dardo para um ponto de certeira aleatoriedade significa abrir mão de tudo, de dardos que compartilhavam o mesmo ponto, e passar a estar em outro ponto das tabelas sobrepostas, onde essa sobreposição quase sempre é sobre outras tabelas. Que no contexto físico significa estar em outro bairro, em outra cidade, em outra empresa, convivendo à partir dali com pessoas quase que exclusivamente diferentes das que conheciamos. Mal consigo colocar em palavras tudo isso.

Sair do poço, ingressar em novas perspectivas e deixar para trás os problemas é muito mais fácil e igualmente covarde quando largamos tudo e partimos para viver uma nova vida, em um lugar distinto. Realmente é muito difícil de fazer isso, ainda mais quando se tem filhos e apegos com familiares.

Ao chegar em um novo lugar, sem ligações diretas com o anterior, ainda teria um grande obstáculo pela frente, enfrentar a desconfiança daqueles que já têm raízes por ali e vêem um forasteiro querendo desabrochar e se fixar com novos relacionamentos e atividades remuneradas no novo endereço.

É justa a desconfiança, pois como pode alguém em sã conciência e gozando de uma vida dita normal deixar tudo pra trás de uma hora para outra? As pessoas pensam “dê certo ele fez alguma coisa errada por lá”. É conviver com isso pra muito tempo pra conseguir de fato uma vida nova, com reais possibilidade de atingir o alvo.